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A Maternidade e o Audiovisual

Um tempo atrás me pediram para contar como foi a questão da maternidade e a entrada no meio do audiovisual, as dificuldades que tive e etc.

E resolvi parar um tempinho para tentar resumir um pouco essa história, mas vai ser um pouco difícil esse resumo.. rss

Mas vamos tentar, não é mesmo?!


Antes mesmo de engravidar eu já tinha essa vontade de começar a fotografar profissionalmente, mas a única coisa que eu tinha era uma câmera compacta e um sonho... kkkk ... e tudo certo, em relação a isso!

Nessa mesma época e até o final da gestação eu trabalhava numa escola de cursos de informática, sendo a instrutora (pois é, isso mesmo!), trabalhei anos nessa área... e apesar dos altos e baixos em relação ao desânimo com essas escolas e a forma como tratavam alunos e profissionais, eu gostava muito de ensinar minhas turminhas.

Logo após o nascimento da Isabel, eu ganhei minha câmera semiprofissional, a que eu sonhava comprar e tentava juntar o valor para tal, na época o pai da minha filha quem quis me dar a câmera de presente, que em palavras dele: eu tinha dado o presente que ele sempre sonhou, então não custaria nada para ele me dar algo que eu tanto sonhava também.

Mas mesmo após ter a câmera eu ainda não era uma profissional da área, eu precisava aprender a mexer com ela, entender como funcionava, e naquela época eu não tinha condições financeiras para arcar com um curso de fotografia, e nem teria tempo para fazê-lo também, então aprendi da forma que eu sabia aprender melhor, por conta. Comecei a fazer testes e mais testes, ler manual, pegar algumas dicas na internet, ler dicas de fotógrafos, fiz amizades com alguns fotógrafos que também me deram algumas dicas, assim como também tentei conversar com outros (vulgos) profissionais que soube apenas criticar o equipamento que eu tinha em mãos e que eu jamais poderia ser uma profissional sem o equipamento certo ou sem o curso correto.

Eu resolvi ignorar completamente as críticas não construtivas que recebi, e coloquei em prática todas as dicas e críticas construtivas que me deram. Testei inúmeras vezes, tirei inúmeras fotos, para entender como era o funcionamento da câmera, algumas fotos eu tenho até hoje, outras eu exclui direto do cartão rss

Daí então passei a arriscar mais fazendo testes com minha amiga Fernanda, minha cobaia nas fotos desde a época da câmera compacta ahhahaha .... e com testes e mais testes resolvi abrir o leque e fazer sorteios e permutas. Com uma bebê e recém separada não era nada fácil, mas por sorte eu sempre tive uma rede de apoio muito boa também.

mãe
mãe
amigas de infância
amigas de infância







mi hermana
mi hermana
dinda
dinda
vovô
vovô
















vovô
vovô







menino grande (marido da dinda)
menino grande (marido da dinda)















Cada uma dessas pessoas, entre outras... que eu não tenho as fotos aqui no momento, foi de extrema importância pra mim e pra Isabel, são pessoas que me ajudaram em várias pequenas ou enormes coisas.

E graças a essas pessoas eu pude continuar, passo a passo seguindo aquilo que eu queria. Aprendendo cada vez mais a fotografar, saindo para fazer os trabalhos nos fins de semana, enquanto durante a semana eu trabalhava CLT na área de financeiro.

E conforme foram passando os meses, várias pessoas foram vendo meu trabalho, conhecendo o meu lado profissional com fotografia, e essas pessoas iam vendo coisas que até mesmo eu não conseguia enxergar, e através dessas pessoas foram surgindo pequenas oportunidades. Então era um ensaio fotográfico aqui, um aniversário ali, outras milhares de permutas para mais aprendizados.

Após alguns anos ainda como CLT, e a Isabel pequena ainda, me arrisquei pela primeira vez, pedi as contas da empresa e fui para um estúdio que me chamaram para fazer um teste de 3 meses. Não era nada fixo, não era nada certo, mas mesmo assim eu precisava tentar. No segundo mês o estúdio não quis seguir comigo, por eu ser mãe de criança e de vez em quando precisar faltar pra ir em médicos com ela ou ter horários mais restritos por conta da creche que ela estava frequentando na época.

Ou seja, perdi o CLT e a vaga no estúdio. Mas não parei não... enquanto buscava algo mais fixo, segui divulgando os trabalhos de fotografia que eu fazia e fui fazendo o famoso "networking" por onde eu passava, conheci inúmeras pessoas na área de TV e cinema, tive algumas pequenas oportunidades atrás das câmeras, mesmo sem o DRT (e tive oportunidades na frente das câmeras também kkkkk, casos e acasos). Porém para seguir com qualquer coisa na TV ou no cinema, eu precisava do DRT, e a única coisa que eu pensava era: "como vou conseguir um DRT sem um curso?". Enfim... não era o momento ainda, segui para outro sabor CLT....

Um pouco mais de flexibilidade em alguns sentidos, mas estava com um fixo novamente para conseguir pagar as coisas em casa e pra Isabel também.

Obstáculo que não me fez desistir mesmo assim, e o fato de ter a pequena ali sempre me observando, parecia mais um incentivo para que eu precisasse fazer mais. Porém a questão de trabalhos que a resposta foi "não", não foi o único obstáculo que tive, também tive muitas questões com saúde mental, entre outros. Claro que a cada "não", parecia que eu dava uns mil passos para trás, mas eu precisava continuar seguindo.

Mais alguns obstáculos a frente, mais alguns anos se passaram, e então eu tive a minha chance no lugar menos esperado do mundo (pra mim)... onde fiz amizades que seguem até hoje. Ainda existia alguns pontos em relação a maternidade que deixava quem me deu a oportunidade com o pé atrás, mas ainda assim a oportunidade veio, e eu agarrei como pude. A Cássia e o Cacá me deram a oportunidade de ser a fotógrafa principal da agência deles, ainda existia muito pé atrás em relação ao meu trabalho, já que eu nunca tinha feito um curso, mas aos poucos pude mostrar tudo o que aprendi sozinha ou com ajuda de colegas da profissão.

Nessa época a Isabel estava com 4 aninhos, e acabou virando a mascotezinha do estúdio, em todos os momentos que ela não tinha aula, ou que eu precisava levá-la no médico ou que ela ficava doentinha, a Cássia e o Cacá abriam as portas do estúdio para que eu pudesse levá-la comigo. Foi a minha sorte, e a minha maior oportunidade. Foram quase 3 anos lá de muitoooo aprendizado, mas onde carrego a amizade deles até hoje.

Além de trabalhar na agência nesses quase 3 anos, eu seguia fazendo os eventos nos fins de semana, então aniversários, casamentos, ou pequenas coisas que apareciam eu continuava fotografando, nessa mesma época também, resolvi aprender a editar vídeos (sim, primeiro eu comecei com a edição dos vídeos, para ver se eu poderia evoluir e começar a filmar também). Conheci pessoas que me auxiliaram a pensar melhor na parte de edições, e comecei a tentar... sozinha novamente, com dicas de internet, ou onde eu pudesse encontrar alguma leitura sobre.

Melhor coisa que eu poderia ter feito, adicionar coisas as minhas habilidades na área. Em meu último ano na agência, uns 6 meses antes de decidir sair e seguir por conta, um amigo, meu melhor amigo na época me deu a oportunidade de fotografar um evento grande, alguns meses depois recebi o feedback sobre o meu trabalho, e a partir disso a coragem de seguir com minhas próprias pernas.

Início de 2019 eu comecei a minha jornada "individual", com um medo absurdo de nada dar certo de novo... o que normalmente, costuma ser um medo bem comum... mas com tantos "nãos" que eu já tinha escutado, a insegurança no meu trabalho em si era bem grande. Eu sabia que era capaz, sabia que conseguiria realizar o trabalho que fosse colocado a minha frente, mas eu mesma me sabotava e dizia não ser capaz ou simplesmente que não teria gostado do resultado. Porém os "nãos" que eu recebi de produtoras, agências, diretores, não eram por causa da qualidade do meu trabalho, mas sim por eu não ter um curso/ faculdade e por ser mãe solo. Inúmeras vezes tentei iniciar os estudos para conseguir uma chance em qualquer um desses lugares que me diziam "não", mas por sempre ter alguma emergência, ou até mesmo pela falta de tempo, eu não conseguia realmente iniciar o curso. E tudo bem.

Logo após sair da agência peguei alguns ensaios e eventos para fotografar, assim como também várias fotos para edição (através da própria agência que eu tinha saído) e então meu melhor amigo (que além disso era meu mentor e passou a ser o namorado/noivo também), passou a me contratar para fotografar eventos através da empresa dele, ele me deu inúmeras oportunidades e foi uma das pessoas que mais incentivou meu crescimento, assim como a minha segurança no trabalho que eu realizava. Ele confiava no meu trabalho realmente. O que não esperávamos era que no ano seguinte tivesse a pandemia.

Durante a pandemia eu precisei me reinventar de novo rss...

E foi então que iniciei com fotografia imobiliária, primeiro uma empresa, outra, mais outra... imobiliárias que gostavam do meu trabalho.

E durante a pandemia percebi que eu poderia ser muita coisa, e não apenas fotógrafa de eventos ou fotógrafa do ramo imobiliário. Nesse período, indiretamente, dei uma ideia ao meu mentor, que ele levou a empresa que ele estava prestando serviço na época, e a ideia foi bem validada. E a oportunidade de aprendizado com essa ideia foi uma das melhores, e não apenas isso... mas também que eu não precisaria parar só naquilo que eu estava, eu poderia fazer mais.


Minha menina já estava grande, mais independente, e eu precisava mostrar para ela que não tinha idade para tentar de tudo, que não tinha idade para seguir tentando, que não tinha nada que poderia impedi-la de ser o que quisesse ser no futuro dela.

Que se eu estava insistindo tanto era pra ela perceber que tudo seria possível, se ela tentasse também.

Então eu comecei a fazer as coisas aos poucos, primeiro tirei minha cnh, para não ficar dependendo de nada nem ninguém para fazer minhas coisas, depois eu fiz vestibular para voltar a estudar, escolhi Design.... mas no semestre seguinte resolvi arriscar ainda mais, fui para um segundo curso superior, a Fotografia. Logo após houve muitas reviravoltas na minha vida, quase desisti das duas faculdades, pensei que não conseguiria. Insisti mais um pouco, meu trabalho de fotografia imobiliária foi visto e reconhecido pelo Diego Ramos, empresa pioneira de fotografia imobiliária no Brasil, então pensei: "ainda não é o momento de desistir, estou conseguindo mais uma chance de mostrar meu trabalho", e segui com isso em mente.

Ainda teve muitos obstáculos, mas dessa vez na minha vida pessoal... perdas, lutos, situações. Que mexeram muito comigo, e quase me fizeram desistir de tudo novamente. Foram muitos recomeços de 2023 a 2025, impossível negar. Eram recomeços profissionais e pessoais, pessoais e profissionais, momentos que eu olhava pra frente e já não conseguia enxergar o que eu poderia fazer. Só que da mesma forma que a maternidade me trouxe muitos "nãos" no início, ser mãe me trouxe o maior "sim" de todos, aquele "SIM" tão grande, mas tão grande que eu simplesmente não podia deixar passar.... era ela, era o sorriso dela, era ela ser quem ela é, do jeitinho dela.

Ela foi meu maior alicerce, minha maior força em tudo o que eu conquistei até hoje, e graças a isso eu finalizei o curso de Fotografia (que era mais curto) e consegui pegar meu DRT de Diretora de Fotografia e de Fotografia de Cena há quase 1 ano.

E por aqui a luta ainda continua, sigo lutando, sigo tentando... não para ser rica, não para ser conhecida mundialmente nem nada disso...


Sigo lutando para que o sorriso dela nunca se apague.



 
 
 

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